sábado, 9 de julho de 2011

A interação entre tecnologias duras, dura-leves e leves

Programa Preventivo de Maloclusões para Bebês*Dra. Maria Cristina Ferreira de Camargo

O Exame do Bebê

O encontro e a conversa com os pais, que precede o exame do bebê, são importantes para estabelecer um vínculo de confiança e dar-lhes tranquilidade. Aconselhamentos e orientações educam e conscientizam a constelação familiar. Disto resulta a cooperação para colocar em prática manobras preventivas e a manutenção do atendimento longitudinal, isto é, assiduidade aos exames periódicos traçados pelo clínico.

Na anamnese obtemos os dados referentes aos antecedentes familiares, gestação, parto e aleitamento(CAMARGO 11).

Com relação à educação odontológica, os pais são orientados quanto a aspectos de higiene, disciplina e adequação da dieta e programa de fluoretação (tópica/sistêmica). É necessário orientar os pais para a realização da higiene bucal desde os primeiros dias de vida, para manter o meio bucal limpo, sem resíduos de leite e acostumar o bebê, desde o início, a ter sua boca higienizada após a alimentação. A regra é: comeu, sujou, limpou!
Posicionamento do Bebê

Existem várias maneiras de posicionar a criança para o exame bucal:

- Formar a “mesa de exame” numa posição de joelho a joelho com um dos pais e o profissional, sentados de frente um para o outro e a criança com a cabeça apoiada no colo do dentista. (MCDONALD 34)

- A criança no colo da mãe e esta na cadeira odontológica.(MCDONALD 34)

- Macri (maca criança) desenvolvida pelo Professor Luiz Walter, onde se consegue uma posição adequada de trabalho, tanto educativo como curativo, com a participação ativa da mãe (WALTER 60)

- A cadeira preconizada pelo Professor Dualibi que pode ser instalada na cadeira odontológica, em camas hospitalares e atende também a crianças de maior peso e tamanho, e muito útil para pacientes especiais.

- A cadeira que denominamos “Cadeira Odontológica para Bebês”, que idealizamos e desenvolvemos buscando praticidade e economia para o profissional e conforto para a criança nos procedimentos educativos, preventivos e curativos. Ocupa pouco espaço para armazenar, se encaixa e se adapta facilmente na cadeira odontológica, onde os instrumentos manuais podem ser transferidos com eficiência e segurança e onde a fonte luminosa pode ser facilmente ajustada (Fig.17A e 17B).

Utilizando-se a cadeira odontológica para bebês, a criança fica sentada e confortavelmente instalada numa superfície almofadada e macia; acompanha um travesseiro - coxim - em forma de U, recheado com folhas secas de Melissa Officinalis; macio, revestido com capa descartável, se amolda à cabeça do bebê estabilizando-a e aumentando o seu bem-estar.

A cadeira odontológica para bebês acompanha todos os movimentos da cadeira odontológica convencional: inclinar, deitar, subir, descer e permite a proximidade entre pais, criança e profissional.

Constatamos com o seu uso que é uma maneira prática e eficiente de atendimento ao bebê, facilitando a introdução do método educativo preventivo, podendo ser usada por crianças recém-nascidas até a idade de 12 a 15 meses.

Após esta fase (até 30 meses) passamos para cadeira odontológica em posição invertida. (TODESCAN57) Acima de 2½ a 3 anos, na cadeira odontológica convencional.

Como Examinar

Estando o bebê posicionado, passamos ao exame da face e da boca com objetivo de verificar se crescimento e desenvolvimento estão ocorrendo dentro dos padrões de normalidade, se existem anomalias congênitas, processos patológicos ou desvios de desenvolvimento. O exame deve se iniciar com uma avaliação da região da cabeça e pescoço.

Examine a proporcionalidade crânio/face, quantidade e integridade de músculo e tegumento.

Toque o bebê nos pés, pernas, braços, tronco e lentamente alcance a face com movimentos leves, delicados, firmes e constantes, como se estivesse alisando uma ruga em um tecido.

Com as pontas dos dedos toque suavemente o centro da testa deslocando-os para os lados, contornando as sobrancelhas, indo para a região temporal. Desça contornando o olho, ao longo das bochechas, na área de masseter; a partir do nariz passe sobre as bochechas em direção às orelhas; do centro do queixo ao longo da mandíbula. Por fim, os dedos seguem as linhas externas do nariz dirigindo-se para as comissuras da boca. Esta massagem favorece o relaxamento da musculatura, diminui a tensão muscular e quase sempre o bebê abre a boca espontaneamente (Fig.18).

É possível agora adentrar a cavidade bucal: estimule com toques leves o lábio inferior, escorregue pela face interna da bochecha e encontre a área vestibular do rebordo inferior (Fig.19).

Os lugares mais sensíveis à pressão e tato na boca são os lábios, ponta da língua epalato duro. A parte interna das bochechas é, por exemplo, muito menos sensível. (DOUGLAS 17)

Os receptores de tato, localizados na mucosa, desenvolvem papel importante na fisiologia bucal, e além de levar sensação de toque, produzem ou despertam reações motoras bucais. Excitando presso-receptores da língua e palato duro, reflexamente se produz excitação com fechamento da boca. (DOUGLAS17) Portanto evite tocar estas regiões (língua, palato duro) nos momentos iniciais do exame.

O Que Observar

Do Nascimento aos 6 Meses - Fase Pré-Dental
Com a boca relaxada e aberta, podemos examinar com relativa facilidade o contorno dos rebordos, integridade dos tecidos, inserção do freio labial, bridas e pregas. São anomalias freqüentes no recém-nascido as pérolas de Epstein, nódulos de Bohn, cistos de inclusão, dentes natais e neonatais.

Passe então para o exame do palato, língua, assoalho da cavidade e freio lingual.
Em seguida o exame da “oclusão”: relacionamento entre maxila e mandíbula.
Coloque pequena quantidade de água potável na boca do bebê, estimulando a deglutição. Entreabra os lábios e observe o relacionamento entre os rodetes. Confirme, aproximando mandíbula de maxila com pressão na base inferior do mento.

Este é um dos poucos momentos do exame que o bebê, mesmo inserido neste cuidados de ambientação, reclama e esboça um chorinho: o bebê não gosta que alguém feche sua boca!

Para fins de seguimento e acompanhamento de cada caso clínico, estamos registrando e medindo o relacionamento de maxila/mandíbula usando a técnica que desenvolvemos para moldagem anterior dos rodetes, obtendo modelos que efetivamente permitam medir e acompanhar o desenvolvimento (Fig.20).

Como já vimos, o recém-nascido apresenta um retrognatismo normal para a fase, em torno de 3 a 5 mm . A partir do nascimento a mandíbula deverá ter velocidade maior de crescimento para anterior buscando alcançar a maxila e estabelecer uma relação de topo até a época da erupção dos incisivos.

É importante que incisivos inferiores e superiores erupcionem em bases ósseas bem relacionadas para que se estabeleça adequado guia incisal decíduo, relação de molares, guia canino e correto padrão oclusal. Assim deve-se buscar sempre o correto relacionamento entre as bases ósseas.

Quando examinamos o bebê nos primeiros meses de vida e constatamos normalidade no desenvolvimento devemos orientar os pais no sentido de continuar mantendo os mecanismos de controle ou seja manter as funções plenamente realizadas: respiração, sucção, deglutição, movimentos iniciais de mastigação, sorver e selamento labial. Prescreve-se, então, as orientações contidas no Roteiro para Manobras Preventivas.



FONTE:http://www.odontologiacmf.com.br/artigos_publicados/livros/atual_14.htm

Nenhum comentário:

Postar um comentário